Leitura

Reencontrei meu primeiro namorado na fila da farmácia, vinte e seis anos depois

Fui comprar remédio para enxaqueca num domingo à noite e reconheci a nuca dele na minha frente. A gente namorou aos dezessete e terminou por carta. Vinte e seis anos depois ele ainda lembrava do meu perfume, ou achava que lembrava, e eu lembrava de tudo.

Romance · 5 min · Helena · 9 leituras

Domingo à noite, farmácia 24 horas da Beira-Mar, eu de moletom e óculos, com uma enxaqueca que começou no almoço de família e não foi embora.

Tinha três pessoas na fila. O homem da minha frente segurava uma caixa de antialérgico e um pacote de bala de gengibre. Foi a bala que me fez olhar de novo. Só uma pessoa no mundo comprava bala de gengibre como se fosse coisa séria.

“Marcelo?”

Ele virou. O cabelo estava grisalho nas laterais, os óculos eram novos, a voz era a mesma.

“Helena Brandão”, ele disse, com o sobrenome de solteira que eu tinha voltado a usar fazia seis meses.

A gente namorou dos dezessete aos dezenove. Terminou por carta, porque ele foi fazer faculdade em Curitiba e eu achei que carta era mais digno do que telefone. Guardei a resposta dele numa caixa de sapato por anos. Joguei fora quando casei. Me arrependi na mesma semana.

Pagamos, saímos e ficamos parados na calçada como dois adolescentes sem saber quem fala primeiro. Ele tinha voltado para Floripa depois de se separar. Dois filhos, um apartamento alugado no Saco dos Limões, uma rotina que ele descreveu como “muito arrumada para alguém tão bagunçado por dentro”.

“Você ainda usa aquele perfume”, ele disse.

Eu não usava. Usava outro, parecido. Ele lembrava do cheiro errado com tanta convicção que eu não tive coragem de corrigir.

Ele me ofereceu carona. Eu estava de carro. Aceitei mesmo assim.

No carro dele tocava a mesma banda de 1999, e a gente riu disso até a enxaqueca virar só um peso leve atrás dos olhos. Ele parou na frente do meu prédio e desligou o motor, e ficamos uns bons minutos falando de gente que nem lembrávamos direito, só para não ter que decidir nada.

“Posso subir?”, ele perguntou, olhando para o volante.

“Minha casa está uma bagunça.”

“A minha vida também.”

Subiu. Eu fiz um chá que nenhum dos dois tomou. Ele ficou olhando a estante, passando o dedo nas lombadas, e parou num exemplar velho de Drummond com meu nome escrito em letra de adolescente.

“Fui eu que te dei esse.”

“Eu sei.”

Ele me beijou ali mesmo, encostada na estante, e eu juro que o corpo lembrou antes de mim. A mão dele na minha nuca, o jeito de inclinar a cabeça para a esquerda. Vinte e seis anos, e algumas coisas não tinham mudado nada. Outras tinham mudado muito, e para melhor. Ele estava mais calmo, mais atento, sem aquela pressa dos dezenove anos de quem acha que vai perder alguma coisa.

O beijo foi aprofundando. A mão dele desceu pelas minhas costas, por baixo do moletom, e encontrou a pele nua. Eu puxei a camisa dele para fora da calça e passei as mãos pelas costas, sentindo a pele quente, os músculos diferentes dos que eu lembrava. Ele me puxou pela cintura e eu senti o pau dele já duro contra a minha barriga.

Fomos até o quarto sem desgrudar. Ele tirou meu moletom com cuidado, depois o sutiã. Beijou meus seios como quem reencontra algo que sentiu falta. Eu abri o cinto dele, baixei a calça e a cueca juntas. O pau saiu pesado, latejando. Segurei e passei o polegar pela cabeça molhada. Ele soltou o ar pelo nariz e me deitou na cama.

Desceu beijos pelo meu ventre, puxou a calça de moletom e a calcinha de uma vez. Abriu minhas pernas e lambeu devagar, a língua quente e paciente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Eu estava molhada demais para alguém que tinha começado a noite com enxaqueca. Quando ele enfiou dois dedos e curvou, eu arquejei e segurei o cabelo dele.

Ele subiu de novo. Se ajoelhou entre minhas pernas, posicionou o pau na entrada e olhou pra mim. Eu acenei com a cabeça. Ele entrou devagar, centímetro por centímetro, até estar completamente dentro. Eu soltei um gemido longo. O corpo reconheceu o preenchimento, a forma, o jeito de ocupar o espaço. Ele ficou parado um segundo, me olhando, e depois começou a se mover.

No começo foi lento, fundo, quase reverente. Cada estocada ia até o fim e voltava com calma. Eu envolvi as pernas na cintura dele e puxei para mais perto. Ele acelerou. O barulho molhado da minha boceta engolindo o pau dele encheu o quarto. Eu gemia baixo, contra o pescoço dele, sentindo o peito grosso, o suor começando a nascer.

Ele me virou de lado, ergueu uma perna e meteu mais fundo. A nova posição fez a cabeça do pau bater num lugar que me tirou o fôlego. Eu gozei primeiro, contraindo em volta dele, com a mão apertando o braço dele. Ele segurou o ritmo, me deixou terminar, e só então acelerou de verdade. As estocadas ficaram mais curtas, mais fortes. Eu sentia cada veia, cada batida.

Quando ele estava perto, perguntou baixo, quase no meu ouvido:

“Posso?”

Eu só respondi:

“Dentro.”

Ele enterrou até o fundo e gozou. Quente, longo, pulsando. Eu senti o calor se espalhando e o peso dele relaxando sobre mim. Ficamos assim um tempo, ainda encaixados, respirando no mesmo ritmo. Quando ele saiu, a porra escorreu devagar pela minha coxa. Ele beijou meu ombro e ficou deitado do meu lado, a mão ainda na minha cintura.

A gente não perdeu nada naquela noite. Ficamos acordados até tarde, rindo das partes desajeitadas e reconhecendo as outras.

Acordei às seis com ele dormindo do meu lado e a enxaqueca totalmente curada.

Na mesa de cabeceira, o pacote de bala de gengibre aberto e um bilhete escrito no verso da nota fiscal da farmácia.

“Dessa vez eu respondo pessoalmente.”

0  ·  0

Entre para curtir

Interação

Comentários

Faça login para comentar.

Continue na estante

Você também pode gostar

Explorar

Gostou de um conto?

Crie uma conta discreta para curtir e comentar.